SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano C


Caros irmãos, no sétimo domingo do Tempo Comum, ano C, a liturgia proclama o trecho do evangelho de S. Lucas (6,27-38) que traz uma das frases mais conhecidas (e fortes) de Jesus: “Amai os vossos inimigos” (cf. Lc 6,27). Abramos nosso coração à Graça de Deus para que sejamos capazes de amar efetivamente o próximo.

Ao contrário do que acontece numa amizade, a inimizade não exige reciprocidade. Ou seja, posso ser odiado por alguém, sem, contudo, que eu o odeie. Em ambos os casos, estamos considerando uma ação que brota de uma decisão, algo que vai além do mero sentimento de raiva, tristeza ou indignação. Em outras palavras, se, por um lado, “amar alguém é querer o seu bem e trabalhar eficazmente pelo mesmo” [1], por outro, odiar alguém é querer e fazer o seu mal. Trata-se, assim, de um movimento da alma que deliberadamente escolhe o mal. Portanto, o convite de nosso Senhor é que deixemos de responder simplesmente aos estímulos que recebemos (se alguém me faz bem, trato-o bem, mas...) para escolher sempre e efetivamente o bem: este é o único caminho que rompe a corrente da injustiça e da maldade.

Porém, este movimento da alma proposto por Jesus está além das nossas capacidades: exige um algo mais. “Este ‘algo mais’ vem de Deus: é a sua misericórdia, que se fez carne em Jesus e que sozinha pode ‘inclinar’ o mundo do mal para o bem, a partir daquele pequeno e decisivo ‘mundo’ que é o coração do homem” [2]. Quando ainda éramos pecadores, Deus nos amou em Cristo Jesus (cf. Rm 5,8), o vemos claramente no momento da crucifixão, no qual o Senhor ia repetindo “Pai, perdoa-lhes: não sabem o que fazem” (Lc 23,34). Ora, se Deus assim nos amou, da mesma forma devemos amar nossos irmãos – e podemos fazê-lo, se abrirmos o coração ao Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, que nos purifica e renova. Amemo-nos, portanto, uns aos outros, como Deus nos amou por primeiro: dessa forma, seremos misericordiosos como nosso Pai (cf. Lc 6,36).

Ó Pai, dá-nos o Espírito Santo para que sejamos capazes de amar nossos irmãos como nos amaste em Teu Filho, Jesus Cristo! Maria santíssima, Mãe de misericórdia, abri nosso coração à misericórdia. São José, nosso protetor, dá-nos a coragem de fazer sempre o bem.

Sub tuum præsidium confugimus. sancta Dei Genitrix: nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus: sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta.

Bento XVI, Caritas in veritate, n. 7.

Bento XVI, Angelus (18 de fevereiro de 2007).

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